quarta-feira, 28 de abril de 2010

JARDIM DA VIDA

A vontade de gritar está entalada na garganta
Os meus olhos se enchem de sangue
Estou pronto para ranger os dentes
Daqui a um minuto, corto meus pulsos
E deixarei o sangue escorrer e a pressão abaixar
Ate vir alguém para me socorrer

Me deitaram em uma cama de hospital
Pois meu plano de saúde cobriu a hospedagem
Apaguei totalmente e perdi os sentidos
Minha roupa esta vermelha
E quando sai de casa, a camisa era branca e a bermuda quadriculada
Deixei minha motocicleta no estacionamento
Vai ficar caro deixá-la tanto tempo La
Afinal, a quanto tempo fiquei desacordado?

Drº Tom = A um mês meu amigo

Duff = Você está falando sério?Afinal, me chamaste de amigo, mas não o conheço!

Drº Tom = Sou o médico neurologista que cuidou de você durante todo o tempo, lhe chamo de amigo, pois quando entrou em coma aqui no hospital, senti nos seus olhos a tristeza que transparecia e exalava em você, portanto, você passou a ser uma pessoa em que me esforçaria o máximo para curá-lo e saber um pouco da sua história triste e qual o motivo da tentativa do suicídio.

Duff = Por acaso estava drogado?

Drº Tom = Não meu amigo, apenas possuído por um sentimento terrível de tristeza e depressão, afinal, durma mais um pouco, pois acabei de preparar uma injeção de um remédio muito forte, que lhe fará dormir muito, você esta um pouco transtornado ainda, fizeste uma longa viagem e será difícil para você entender tudo o que aconteceu.

Duff = Como assim uma viagem, eu não me recordo!

Drº Tom = Relaxe meu amigo. Pronto, já esta preparada a injeção e aplicada em você, temos todo o tempo do mundo para conversarmos.

Duff = ZzZzZz

No momento que senti a injeção,não senti nenhum ardor ou dor da agulha penetrando em minhas veias, como se não as tivesse mais, mas dormi e intriguei-me com a situação, não lembro de tal viagem e muito menos dessemedico cujo nome eu desconheço, preciso avisar meus familiares, alias, ninguém veio me visitar ainda, devo ter perdido meu emprego, bom, o sono bate a porta dos olhos, o corpo desfalece e o pulso dói, o corte já cicatrizou mas ainda incomoda, arde e parece sangrar, mas ao mesmo tempo, pareço não ter sangue correndo nas veias, minha cabeça andar sozinha junto com meus pensamentos confusos e desordenados, sinto cheiro de esperança, paz e luz, luz essa tão forte que parece cegar meus olhos, o peito sente uma leve falta de ar e uma sensação de estar se afogando no mar morto. Morto! É assim que de uma certa forma me sinto no momento e junto com a morte a vida parece andar de mãos dadas, a ansiedade de levantar dessa cama é enorme.
Então, meio que falando sozinho sob efeito da injeção, durmo com uma sensação de medo e de que algo esta acontecendo sem querer acreditar que aconteceu algo.
Depois de horas, afinal, não sei o que são horas, não faço a menor idéia de tempo e espaço, acordo com o sol forte nos olhos e uma bela enfermeira (Lucy) ao lado do Drº Tom olhando para mim sorrindo.

Drº Tom = Bom dia meu amigo, sente-se melhor? Essa é mais uma amiga, a enfermeira Lucy, que assim eu, já o ama e quer te ver bem, sorrindo e feliz.

Lucy = Olá meu amigo, saiba que eu Te Amo do fundo do meu coração. E estou pronto para lhe ajudar em tudo que precisar, seja muito bem vindo a vida! A sua nova vida que teremos o maior prazer de lhe ensinar a conviver e principalmente, entender o motivo e as causas da mesma.

Duff = “Nova vida?”

Interrogo-a irritado e confuso

Drº Tom = Acalme-se meu amigo! Perdoe se de alguma forma a enfermeira Lucy lhe irritou. Vamos levantar dessa cama e andar um pouco pelo jardim? Esta um belo dia la fora e precisamos ver como você esta se recuperando!

“Meio intrigado, levanto-me e começo a caminhar de mãos dadas com o Drº Tom. De uma certa forma, mesmo confuso, eu confio nele como se o conhecesse a tempos. Levantei-me e meu corpo não sentia mais nada, estou intacto, mas apenas o pulso ainda arde”.

Quando passo pelo corredor do hospital, todos olham para a minha direção com sorriso nos lábios e aparentando estar felizes com a minha recuperação, de uma certa forma, o que me assusta, é que sempre detestei hospitais e sempre senti um clima pesado e sujo, bem diferente deste que é tudo limpo e com ótimo cheiro.

Um belo jardim do lado de fora e sem a visão de carros, asfalto e concreto, nenhum cheiro de poluição e pessoas gritando de dor, alguns assim como eu, na expressão do rosto parece sentir a mesma coisa, se perguntando que lugar é esse e por qual motivo e como viemos parar aqui?.

Duff = Drº Tom, em qual estado estou?

Drº Tom = Estado de graça meu amigo, na fronteira com a felicidade e a caminho do paraíso.

Duff = Como?

Drº Tom = Acalme-se, você confia em mim? No momento certo saberá o que aconteceu!

Um silencio na minha alma, e uma paz que tudo esta correndo bem, apesar do estranhamento, bateu no meu coração e não indaguei nada e apenas mais uma vez confiei na palavra serena do Drº Tom e continuei o meu passeio.
Pouco mais de uma hora, depois de andar pelo belo jardim do hospital, volto para o quarto e deito-me novamente sob o leito.

Drº Tom = Boa noite meu amigo

Duff = ZzZzZzZz

“ Dormi sem despedir-me tamanho o meu cansaço. Ao fechar meus olhos, começo a lembrar de alguns momentos. A vontade de gritar, os olhos cheios de sangue, o ranger dos dentes e a gilete em minhas mãos cortando-me os pulsos de caindo ao chão desacordado”.

Acordo assuntado aos prantos, varias pessoas ao meu redor de branco e mãos dadas em tom de oração.

Drº Tom = Olá meu amigo, conseguiu entender o que aconteceu com você? Esta sentindo e entendendo o sentido da sua nova vida?

Duff = Estou morto?

Drº Tom = Não meu amigo, você só esta entre amigos de verdade vivendo sua verdadeira vida, onde não há ódio e nem drogas ilícitas para desviar o seu caminho, você apenas voltou de onde você saiu e faremos de tudo para sua felicidade, aqui você é amado. Aqui você será feliz por completo, não pelas metades.

“ Aos prantos mas de felicidade, apenas chorava sem indagar aceitando e olhando para a água dentro do copo no centro do quarto, apenas choro e choro, pois, tudo ficou tão claro e em paz, a dor e ardor dos pulsos putrefatos não mais me incomodavam. Senti que realmente não iria mais sentir dor e recordei-me de tudo que havia acontecido ao longo da minha vida na Terra. Por acreditar em Deus e nos estudos Kardecistas, sei que errei, sofri, não quis aceitar ou entender o primeiro impacto, mas bastou apenas sentir o amor e a compaixão desse hospital para poder sorrir e aceitar e saber que sou amado pelo Mestre, que ao mesmo tempo que interrompi minha vida, ainda vim para o paraíso prometido”.

Em tom de oração, agradeci e abracei a minha nova vida e meus novos amigos, perdoei a todos que deixei e amei a partir de agora, os cuidarei olhando daqui todos os passos”.

“Que assim seja, obrigado Pai”.